Por que não gritamos "Diretas Já"

Comunicado do Comitê de Propaganda da RECC no Piauí. Veja também no facebook

O caos parlamentar avança no país. Fica cada vez mais difícil diferenciar a prática dos partidos eleitoreiros.  Enquanto o circo de delações, prisões e acusações avança, nosso real inimigo, as reformas sociais e econômicas -o Ajuste Fiscal- continua intocável.

A realidade mostra a cada dia que quem manda no país não são os políticos, e muito menos o povo, mas sim as grandes empresas (Odebrecht, OAS, JBS, etc). Isso não acontece por acaso. Significa que o voto e as eleições são uma enorme mentira, que por ela só se elegem testas de ferro para empresários. Mostra também que não importa quem esteja na presidência, o governo terá que continuar as reformas, exigência dos patrões brasileiros e estrangeiros.

Não gritamos "Fora Temer", e nem gritaremos "Diretas Já" ou "Eleições Gerais" por isso. Acreditamos que essas campanhas são meramente estéticas, seja na prática festiva e burocrática das manifestações, ou nos poucos resultados. Elas foram criadas e defendidas por partidos eleitoreiros, como PT, PCdoB, PSOL, PSTU, etc., e suas organizações sindicais e estudantis, como UJS, UNE, UBES, RUA, ANEL, CUT, CTB, CSP-Conlutas etc. A intenção é simplesmente colocar os seus políticos no poder, como se isso fosse frear as reformas.

Essas campanhas, para nós, apontam a verdade sobre os partidos eleitoreiros e suas organizações sindicais e estudantis: querem somente as eleições, os cargos, o controle ilusório da burocracia. Assim, jogam fora uma rara oportunidade de destruir de forma efetiva o Ajuste Fiscal.

Continuaremos a defender o combate às reformas, pois entendemos que todos os políticos podem cair, mas ela se manterá de pé, e só nossa força unida poderá derrubá-la.  Essas reformas não são monstros distantes de nós. São os cortes de verba em nossas universidades e escolas. É o transporte e a saúde ruins. É o desemprego, ou empregos sem garantias de direitos básicos, como carteira assinada, férias e salário mínimo. É a repressão que avança em direção aos que lutam contra tudo o que está posto. 

Temer vai continuar presidente? Não sabemos. Sabemos que qualquer um que vier, dará continuidade o Ajuste Fiscal. Não podemos nos iludir ou iludir outros estudantes e trabalhadores.  Não podemos defender campanhas que tem por fim meras eleições presidenciais. Não podemos trocar o alvo correto por espantalhos e discursos fáceis. O nosso futuro está em jogo, e já é tempo de se fazer uma luta classista, combativa e independente fora dos limites das eleições.



CONTRA O AJUSTE FISCAL, CONSTRUIR A GREVE GERAL!
IR AO COMBATE SEM TEMER! OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!